UM POUCO DE HISTÓRIA
No dia 14 de junho de 1864, nasceu Alois Alzheimer, na cidade alemã de Marktbreit, filho de Eduard Alzheimer e sua segunda esposa Theresia.
Alois estudou medicina em Berlin, apresentando, em 1887, sua tese doutoral sobre “As Glândulas Ceruminais”.
Foi nomeado como médico residente no Sanatório Municipal para Dementes e Epilépticos, na cidade de Frankfurt, em dezembro de 1888, sendo logo promovido a médico senior. Casou-se em 1894 com C. S. Nathalie Geisenheimer, que lhe deu três filhos. A esposa veio a falecer em 1901.
A origem do termo “Mal de Alzheimer” deu-se em 1901, quando Dr. Alzheimer iniciou o acompanhamento do caso da Sra. August D., admitida em seu hospital.
Em novembro de 1906, durante o 37° Congresso do Sudoeste da Alemanha de Psiquiatria, na cidade de Tubingen, Dr. Alois Alzheimer faz sua conferência, com o título “ SOBRE UMA ENFERMIDADE ESPECÍFICA DO CÓRTEX CEREBRAL”. Relata o caso de sua paciete, August D., e o define como uma patologia neurológica, não reconhecida, que cursa com demência, destacando os sintomas de déficit de memória, de alterações de comportamento e de incapacidade para as atividades rotineiras.
Relatou também, mais tarde, os achados de anatomia patológica desta enfermidade, que seriam as placas senis e os novelos neurofibrilares. Dr. Emil Kraepelin, na edição de 1910 de seu “Manual de Psiquiatria”, descreveu os achados de Dr. Alzheimer, cunhando esta patologia com seu nome, sem saber da importância que esta doença teria no futuro.
Dr. Alois foi acometido de uma grave infecção cardíaca (endocardite bacteriana) em 1913. Seguiu enfermo por dois anos, quando no dia 19 de dezembro de 1915 veio a falecer de insuficiência cardíaca e falência renal, na cidade de Breslau, Alemanha.
O QUE É DOENÇA DE ALZHEIMER E COMO SE MANIFESTA?
A Doença de Alzheimer, também conhecida como demência senil tipo Alzheimer, é a mais comum patologia que cursa com demência.
E o que vem a ser demência?
Popularmente, conhecida como esclerose ou caduquice, a demência apresenta como características principais: problemas de memória, perdas de habilidades motoras (vestir-se, cozinhar, dirigir carro, lidar com dinheiro...), problemas de comportamento e confusão mental.
Quando falamos que as demências estão constituindo um sério problema de saúde pública em todo o mundo, temos que mostrar em números o que isto representa.
Hoje temos, no mundo, 18 milhões de idosos com demência, sendo 61% deles em países do terceiro mundo. Daqui a 25 anos terão 34 milhões de idosos nesta situação e a grande maioria (71%), nos países mais pobres!
No Brasil, temos atualmente 1,2 milhões de idosos, aproximadamente, com algum grau de demência.
Existem várias teorias que procuram explicar a causa da doença de Alzheimer, mas nenhuma delas está provada.
Destacamos:
1- IDADE: quanto mais avançada a idade, maior a porcentagem de idosos com demência. Aos 65 anos, a cifra é de 2-3% dos idosos, chegando à 40%, quando se chega acima de 85-90 anos!2- IDADE MATERNA: filhos que nasceram de mães com mais de 40 anos, podem ter mais tendência à problemas demenciais na terceira idade.3- HERANÇA GENÉTICA: já se aceita, mais concretamente, que seja uma doença geneticamente determinada, não necessariamente hereditária (transmissão entre familiares).4- TRAUMATISMO CRANIANO: nota-se que idosos que sofreram traumatismos cranianos mais sérios, podem futuramente desenvolver demência. Não está provado.5- ESCOLARIDADE: talvez, uma das razões do grande crescimento das demências, nos países mais pobres. O nível de escolaridade pode influir na tendência a ter Alzheimer.
6- TEORIA TÓXICA: principalmente pela contaminação pelo alumínio. Nada provado.
Quais sãos os sintomas?
No começo são os pequenos esquecimentos, normalmente aceito pelos familiares como parte normal do envelhecimento, mas que vão agravando-se gradualmente. Os idosos tornam-se confusos, e por vezes, ficam agressivos, passam a apresentar distúrbios de comportamento e terminam por não reconhecer os próprios familiares.
À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes dos familiares e cuidadores, quando precisam de ajuda para se locomover, têm dificuldades para se comunicarem, e passam a necessitar de supervisão integral para suas atividades comuns de vida diária (AVD), até mesmo as mais elementares, tais como alimentação, higiene, vestir-se...
Reconhecemos três fases na evolução da doença de Alzheimer, onde os idosos manifestam determinadas características comuns:
FASE INICIAL
DISTRAÇÃODIFICULDADE DE LEMBRAR NOMES E PALAVRASESQUECIMENTO CRESCENTEDIFICULDADE PARA APRENDER NOVAS INFORMAÇÕESDESORIENTAÇÃO EM AMBIENTES FAMILIARESLAPSOS PEQUENOS, MAS NÃO CARACTERÍSTICOS DE JULGAMENTO E COMPORTAMENTOREDUÇÃO DAS ATIVIDADES SOCIAIS DENTRO E FORA DE CASA
FASE INTERMEDIÁRIA
PERDA MARCANTE DA MEMÓRIA E DA ATIVIDADE COGNITIVADETERIORAÇÃO DAS HABILIDADES VERBAIS, DIMINUIÇÃO DO CONTEÚDO E DA VARIAÇÃO DA FALAAPRESENTA MAIS ALTERAÇÕES DE COMPORTAMENTO: FRUSTRAÇÃO, IMPACIÊNCIA, INQUIETAÇÃO, AGRESSÃO VERBAL E FÍSICAALUCINAÇÕES E DELÍRIOSINCAPACIDADE PARA CONVÍVIO SOCIAL AUTÔNOMOPERDE-SE COM FACILIDADE, TENDÊNCIA A FUGIR OU PERAMBULAR PELA CASAINICIA PERDA DO CONTROLE DA BEXIGA
FASE AVANÇADA
A FALA TORNA-SE MONOSSILÁBICA E, MAIS TARDE, DESAPARECECONTINUA DELIRANDOTRANSTORNOS EMOCIONAIS E DE COMPORTAMENTOPERDA DO CONTROLE DA BEXIGA E DO INTESTINOPIORA DA MARCHA, TENDENDO A FICAR MAIS ASSENTADO OU NO LEITOENRIGECIMENTO DAS ARTICULAÇÕESDIFICULDADE PARA ENGOLIR ALIMENTOS, EVOLUINDO PARA USO DE SONDA ENTERAL OU GASTROSTOMIA (SONDA DO ESTÔMAGO)MORTE.
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?
Não há um teste específico que estabeleça de modos inquestionável a doença de Alzheimer. O diagnóstico de certeza só e feito através de exame patológico (biópsia do tecido cerebral), conduta não realizada quando o idoso está vivo.
Desse modo, o diagnóstico de provável Demência tipo Alzheimer é feito excluindo outras patologias que podem evoluir também com quadros demenciais, tais como:
DOENÇAS DA TIREÓIDEACIDENTES VASCULARES CEREBRAISHIPOVITAMINOSESHIDROCEFALIAEFEITOS COLATERAISDE MEDICAMENTOSDEPRESSÃODESIDRATAÇÃOTUMORES CEREBRAIS, ENTRE OUTROS.
Temos atualmente um teste denominado avaliação neuro-psicológica, que pode mapear os vários aspectos da mente humana, em busca de possíveis pistas de alterações cognitivas (memória), de comportamento e de dificuldades em atuação nos vários aspectos do dia-a-dia (cuidar de finanças, gerenciar a vida e a sua casa, relacionar com parentes e amigos, depressão...).
Um dos testes mais comuns é chamado de mini-exame do estado mental, que é relativamente fácil de ser executado e não cansa o idoso.
É dividido em duas frentes de tratamento:
1- Tratamento dos distúrbios de comportamento: para controlar a confusão, a agressividade e a depressão, muito comuns nos idosos com demência. Algumas vezes, só com remédio do tipo calmante e neurolépticos (haldol, neozine, neuleptil, risperidona, melleril,entre outros) pode ser difícil controlar.Assim, temos outros recursos não medicamentosos, para haver um melhor controle da situação. Um dos melhores recursos são as dicas descritas neste manual (Manual do Cuidador - CONVIVENDO COM ALZHEIMER), onde mostramos como agir perante aos mais diferentes tipos de comportamento que o idoso ter, no período da agitação.2- Tratamento específico: dirigido para tentar melhorar o déficit de memória, corrigindo o desequilíbrio químico do cérebro. Drogas como a rivastigmina (Exelon ou Prometax), donepezil (Eranz), galantamina (Reminyl), entre outras, podem funcionar melhor no início da doença, até a fase intermediária. Porém seu efeito pode ser temporário, pois a doença de Alzheimer continua, infelizmente, progredindo.Estas drogas possuem efeitos colaterais (principalmente gástrico) que podem inviabilizar o seu uso. Também, somente uma parcela dos idosos melhoram efetivamente com o usos destas drogas chamadas anticolinesterásicos, ou seja, não resolve em todos os idosos demenciados.Outra droga, recentemente lançada, é a memantina (Ebix ou Alois), que atua diferente dos anticolinesterásico. A memantina é um antagonista não competitivo dos receptores NMDA do glutamato. É mais usado na fase intermediária para avançada, melhorando, em alguns casos, a dependência do portador para tarefas do dia-a-dia.
FINALIZANDO...
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, respondendo por mais de 60% delas. Não se sabe ainda a causa ou as causas, não se tem ainda um exame de laboratório ou de imagem que possa dar o diagnóstico, ou mesmo que faça uma previsão mais acertada que a pessoa possa ter no futuro uma maior tendência para evoluir para uma demência.
Não temos ainda um tratamento curativo ou que reduza a progressão desta doença, muito menos vacinas ou qualquer outro tipo de terapêutica que previna. O que temos são medicamentos que podem melhorar um pouco a memória e o comportamento, o que já é um alento e uma esperança de tratamento.
A ABRAz não se cansa de afirmar, no estágio atual das pesquisas sobre demências, que o melhor a ser feito é o apoio ao familiar e ao cuidador de idosos com Alzheimer, mostrando-lhes que não estão sozinhos nesta luta, e que toda informação pertinente será colocada para todos os interessados.
PODEM TER AINDA DOENÇAS INCURÁVEIS! MAS NÃO HÁ DOENTES INTRATÁVEIS!!
Fonte: www.alzheimer.med.br
Mal de Alzheimer
O MAL DO SÉCULO
O Mal de Alzheimer foi descrito pela primeira vez pelo médico alemão Alois Alzheimer ( 1864-1915), no ano de 1906. Ao fazer a autópsia numa mulher de 55 anos, ele descobriu em seu cérebro lesões nunca antes identificadas. Vários lugares pareciam, nos neurônios, pareciam atrofiados, com placas estranhas e fibras retorcidas.
Alzheimer é uma doença degenerativa ( uma atrofia cerebral ), que leva à perda de habilidades de pensamento, memorização e raciocínio. É uma doença progressiva que se inicia, frequentemente, após os 65 anos.
A doença atinge a família de forma bastante severa, pois torna o portador do aml completamente dependente, sendo que, desde a descrição da doença tem surgido associações de apoio a familiares. A mais importante e mais antiga delas é a Associação da Doença de Alzheimer e Distúrbios Correlatos, criada na década de 70.
O Mal de Alzheimer tem inncidência maior em mulheres, por serem mais longevas e é responsável por metade das admissões em casas de repouso, nos Estados Unidos ( EUA ).
Diagnóstico
O diagnóstico é bastante difícil pois a doença não tem sintomas físicos específicos. Seus sintomas são mentais e de comportamento e, por isso , durante muito tempo as pessoas deixaram de encarar esse distúrbio como uma doença que exige intervenção.
O aparecimento da doença é gradual, evoluindo de forma diferente à depender do portador.
Outros distúrbios são caracterizados pelos mesmos sintomas psicológicos, sendo necessário fazer o diagnóstico por exclusão.
Na fase inicial os exames como Tomografia e Ressonância Magnética costumam não indicar alterações, sendo que, em um estágio avançado pode indicar uma altereção no volume do cérebro ( atrofia ). Exames como Pet Scan e SPECT, que indicam atividade metabólica, podem também não indicar alteração.
Existem indícios de uma possível ligação entre lesões graves na cabeça e o aprecimento tardio do Mal de Alzheimer.( Mortmer, French, Huton e Schuman, 1985)
Sintomas
A doença apresenta sintomas que indicam a estreita interação entre mente, cérebro e cultura. Estes sintomas afetam capacidades cognitivas, comportamentais e psicológicas.
Por ser lenta e insidiosa, os sintomas da Doença de Alzheimer vão aparecendo aos poucos.
Alzheimer tem sintomas como o déficit na memória recente, sendo que os fatos mais antigos são os últimos a desaparecer. Os portadores demostram perdas na capacidade de desenvolver atividades rotineiras, dificuldade de expressão e linguagem, dificuldade com atividades intelectuais como leitura e cálculos. Demosnstram desorientação quanto a tempo e lugar, tem seu julgamento prejudicado e são incapazes de desenvolver um racíocinio abstrato.
O doente não é capaz de guardar coisas em lugares certos, não reconhece parentes próximos, tem alterações constantes de humor e comportamento, tendo fases de depressão, agitações, psicose paranóide alucinatória, com alucinações visuais.
A personalidade é alterada tornando o doente irritadiço ou apático e desinibido sexualmente. Sua iniciativa é reduzida, podendo levar a um estado vegetativo em que a pessoa não se manifesta. A incontinência urinária e fercal também é constatada.
A doença tem evolução diferenciada, podendo variar entre 2 a 20 anos. Na maioria das vezes a causa da morte não tem relação com a doença, mas sim com outros fatores ligados à idade avançada.
A genética
Inúmeros estudos vem sendo realizados no sentido de se identificar a causa dessa doença. A partir desses estudos, tornou-se claro que Alzheimer é condicionada a alguns genes defeituosos, que condicionam a manifestação do Mal no futuro.
Alzheimer está ligado à duas categorias de lesões cerebrais, sendo que , em uma delas os neurônios exibem placas proteicas ( beta-amilóides), com efeitos tóxicos sobre as células. Na outra , os neurônios formam nós nos microtúbulos, que ficam retorcidos, emaranhados.
O gene Apo-E, tem a função de fabricar a proteína apoliporpoteína-E, que faz o transporte do colesterol no sangue. Apesar de não influenciar diretamente no cérebro, tem influência sobre Alzheimer.
Existem três versões do gene , sendo que a versão E2 protege contra Alzheimer. A E4 aumenta os riscos da doença e faz com que os sintomas tenham manifestação precose. E3 esta em um estágio intermediário.
Uma pessoa pode ter qualquer uma das três versões do gene Apo-E, em diferentes quantidades. Uma copia é herdada do pai e uma da mãe, sendo que essas cópias nem sempre são idênticas, o que gera um certo trabalho para quantificar o gene. A análise é feita por exame de sangue, sabndo-se que, quem tem duas cópias do E4 tem chance de 50% de adoecer, o que deve acontecer antes dos 70 anos.
As alterações de Alzheimer são associadas aos genes 19 e 21.
A probabilidade de um parente próximo ter a doença é quatro vezes maior que na população em geral, que tem probabilidade menor que 1%.
O experimento
No início de 1996 , a pesquisadora americana Karen Hsiao implantou genes humanos em embriões de roedores formando animais com Alzheimer desde o nascimento, pois seus genes os obrigam a apresentar as lesões idênticas as do cérebro humano.
Esta foi a primeira vez que alguém conseguiu reproduzir, em laboratório, as alterações químicas que o mal causa no cérebro, sendo que o rato também tem a falta de memória típica da doença.
É importante lembrar que ninguém conseguiu ainda explicar completamente a ocorrência e funcionamento do Mal de Alzheimer, pois ainda não está clara a forma como os defeitos genéticos levam o organismo à demência, pois não se sabe se as placas tóxicas são causa ou se são causa e sintoma.
Relação com Síndrome de Down
O cromossomo 21, que está associado à Alzheimer, também está associado a Síndrome de Down.
Mudanças neuropatológicas clássicas de Alzheimer são encontradas em 100% dos indivíduos com Síndrome de Down, com idade maior que 35 anos. No entanto, apenas 1/3 dos indivíduos com Síndorme de Down manifestou demência.
A ligação entre as doenças não é bem entendida exceto pela ligação genética.
A idade dos pais não tem influência sobre o aparecimento de Alzheimer, nem influencia, também, na idade da manifestação da doença ( aparecimento precoce ou tardio).
Tratamento
Não existe tratamento eficaz até o momento, mas há meios de diminuir a velocidade de progressão da doença, através de uma combinação de medicamentos que melhorar a condição do metabolismo cerebral.
Essas medidas tem resultados modestos, mas devem ser empregadas, pois, em fases iniciais resultam em melhoras passageiras, atrasam o desenvolvimento dos sintomas e nmelhoram a qualidade de vida de parentes e do próprio doente.
Alguns cuidados devem ser tomados, tais como a manutenção de um ambiente calmo e com estímulos positivos. As coisas devem ser arrumadas sempre da mesma forma e o paciente deve permanecer no mesmo ambiente para que este se torne conhecido, evitando ou reduzindo a desorientação.
O paciente não deve ser deixado sozinho e deve levar vida saudável, não fumando, não bebendo bebida alcóolica, fazendo caminhadas e tendo ocupações rotineiras e repetitivas.
Devem ser feitos treinamentos de memória.
Em último caso, deve-se recorrer a internamento. Em graus avançados da doença essa medida não levará o paciente ao sofrimento, pois ele não terá lembranças da sua casa, família e passado.
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