Evidências Científicas sobre o Potencial Nutracêutico da Aloe Vera
As plantas sempre estiveram na base de todos os códigos terapêuticos.
A novidade implantada no século passado foi a tentativa de
substituição das plantas por compostos químicos e sintéticos.
A partir da década de 1970, entretanto, nota-se um retorno ao interesse
pelas velhas plantas.
E com ele floresce o segmento dos suplementos alimentares em que as
plantas são classificadas como alimentos funcionais sempre que o
espectro de seus elementos constituintes seja mantido
essencialmente intacto.
Chegando ao ano 2000, a Organização pela Manutenção da Saúde do Hospital
Metodista de Omaha, em Nebrasca, por exemplo,
constatava que 40% das pessoas ali registradas utilizavam principalmente
alho, Aloe vera, uva do monte (cranberry) e echinácea.
Como o uso dos fitoterápicos geralmente é feito sem o conhecimento médico,
os pesquisadores concluíram: “Já que os pacientes utilizam-se dessas plantas
como medicamentos sem uma supervisão médica, cabe aos médicos informarem-se
melhor sobre tais plantas para que efetivamente possam auxiliar seus
pacientes e monitorar os seus efeitos.”
O objetivo é expor o que já está cientificamente comprovado sobre as
propriedades da Aloe Vera – planta sempre reconhecida e muito
valorizada desde o início da nossa civilização pelos grandes expoentes
das ciências médicas que a ela tiveram acesso.
Que, ao final desta leitura, todos os que ainda desconhecem a Aloe vera
possam igualmente passar a valorizá-la. E que os profissionais
da saúde sintam-se mais confortáveis em utilizá-la em benefício da
melhoria da qualidade de vida de seus pacientes e de sua própria prática médica!
Comecemos, pois, por nos inteirar do conhecimento que a milenar medicina
Ayurvédica – código de ciências médicas com mais de 4.000 anos
de tradição – trouxe até nossos dias sobre o potencial fitoterápico
da Aloe vera.
A medicina ocidental perdeu-se da Aloe vera quando seu centro de
referência cultural deslocou-se para o norte da Europa, isto é, para
longe do habitat natural da planta. Deixando de fazer parte do herbanário
“civilizado”, a Aloe vera tornou-se uma espécie de lenda até
a década de 1940, quando reaparece como a grande responsável pela
recuperação da pele das vítimas da bomba de Hiroshima.
Mesmo assim, só nos anos 60, do século XX, começaram a aparecer publicações
científicas sobre ela.
Enquanto o Ocidente procurava decifrar seus elementos constituintes,
a União Soviética já proclamava seu potencial
fitoterápico e reconhecia a ação de suas antraquinonas .
(Diz-se que a União Soviética, enquanto existiu, liderou o conhecimento
científico sobre a Aloe vera, produzindo uma quantidade imensurável de pesquisas.)
Apesar de hoje ainda serem poucas as publicações científicas com uma ampla visão
sobre o potencial fitoterápico da Aloe Vera, a partir de um excelente trabalho
para a clínica veterinária publicado em 1975 , outros vieram.
Com o aumento do interesse científico sobre a Aloe vera, em 1988 já se conhecia
um pouco mais sobre as propriedades de muitos dos seus
elementos constituintes (enzimas, salicilatos etc.), quando se reconheceu sua ação
inibidora sobre os tromboxanos e seus benefícios sobre as ulcerações cutâneas.
Nos anos 90, Aloe vera, alho, eucaliptus, mel, peppermint e rose hips faziam parte
das plantas mais utilizadas pelos simpatizantes de um estilo de vida naturalista.
No final da década, ao pesquisarem todos os dadoscientíficos disponíveis
sobre os benefícios da Aloe vera, Vogler e Ernst, do Departamento de Medicina
Complementar da Universidade de Exeter, na Inglaterra,
constataram que:
“Apesar da Aloe vera ser cada vez mais conhecida do público, a maioria dos médicos
sabem muito menos sobre suas propriedades fitoterápicas que seus próprios pacientes”.
A pesquisa deixa em aberto a “possibilidade” de a Aloe vera ser efetiva contra a herpes
genital e a psoríase, mas afirma existirem duas propriedades indubitavelmente
comprovadas da Aloe vera:O controle dos níveis de açúcar e de lipídios no sangue.
Não deixa, porém, de chamar a atenção a ausência de referências sobre as propriedades
regeneradora/cicatrizante – há milênios reconhecidas por todos os povos que a ela
tiveram acesso – da planta. Isso implica que eles desconsideraram as pesquisas
feitas com animais e as evidências clínicas. Fascina observar o conhecimento,
dito científico, se permitindo levantar dúvidas sobre a tradição milenar, sem
questionar as limitações de uma metodologia adotada a pouco mais de um século,
ou seja, ainda bastante “imatura”.
O milênio, porém, foi encerrado com Reynolds e Dweek, do Jodrell Laboratory, do
Royal Botanic Garden de Kew, prevendo que, cada vez mais, as benesses da Aloe
vera extrapolarão o conhecimento que hoje se tem sobre seu potencial fitoterápico –
seu poder antiinflamatório continua sendo o elemento chave para a maioria dos
processos de cura induzidos por ela.
Eles também denunciaram o fato de a indústria farmacêutica
(obcecadas pelos lucros das patentes) tentar limitar as propriedades
imunomoduladoras da Aloe vera exclusivamente aos polissacarídeos tipo acetilado
de mannan (o acemannan “do” Laboratório Carrington).
E concluíram que, com o crescente aumento de pesquisas, como as que comprovaram o
potencial antidiabético, anticancerígeno e antiinflamatório
da Aloe vera, as expectativas são de que sua utilização venha a ser cada vez mais
ampliada.
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